O underground gastronômico de Buenos Aires pt. 2 – El Preferido de Palermo


É, não dá pra ganhar sempre. Definitivamente.

É com esta frase que começo a falar do El Preferido de Palermo. Mas não posso criticar muito, porque o errado sou eu e não o restaurante. Explico. Sou errado em criticar por 2 motivos claros: 1) fui ao restaurante hoje, 30 de Agosto de 2010 e 2) sou pobre. Se tivesse ido ao restaurante há 10 anos ou se fosse rico, estaria 100% satisfeito. Porém, como não posso viajar no tempo e meus recursos são restritos, tenho que me ater ao meu tempo atual e a detalhes pequenos, tal qual o custo/benefício das coisas.

Há ainda um terceiro motivo que me envergonha ainda mais. Me envergonha mais, porque dos 2 primeiros motivos, 100% da população mundial também não podem viajar no tempo e 90% da população mundial tem a mesma quantidade de dinheiro que eu tenho, ou menos. Agora, eu ser um bundão para pedir comida, não sei nem mensurar.

Enfim, cheguei ao restaurante pela indicação da Diga Maria! que tem um site lindo: Diga Maria!. Gostei muito do que li sobre ele na internet e ainda por cima é perto do lugar que estou. Aliás, é a segunda vez que venho para Buenos Aires, é a segunda vez que fico em Palermo e é a segunda vez que recomendo Palermo. Puta bairro bom da porra!

Enfim (de novo), o restaurante é ultré-sem muitas cerimônias. A porta permanece fechada e com um aviso: bata e aguarde. Dai vem um garçon não muito sorridente, pergunta qtas pessoas são e observa se há mesas. Na primeira vez que bati, ele disse que não havia mesa e pediu que eu fosse a outro lugar comer. Fui até a esquima meio triste e resolvi voltar, mesmo porque não levo desaforo para casa. Bati novamente e disse que não tinha pressa. Ele disse para voltar em 30 minutos. Dei uma volta, comprei uma cerveja em um supermercado, bebi e voltei. Bati na porta e entrei.


Na hora veio uma cestinha com pães variados e uma manteiga. A posteriori saberia que custa 5 pesos. Comi um pedaço de cada tipo de pão e toda a manteiga.

Chamei o garçon e perguntei sobre as especialidades. É aqui que entra a parte de ser um bundão. Ele me mostrou 2 pratos dos quais, além de não entender nada do que ele falava, as imagens não ajudavam muito. Além do que, só entendi que um dele tinha morcilla e eu não tenho culhão para morcilla. Pedi para ele me indicar uma carne, e fui no que ele indicou.

A carne aqui não é muito melhor do que as que comemos nos restaurantes argentinos em São Paulo. As batatas, sempre são melhores do que as que comemos no Brasil. Os ovos também são, mas ovo e batata é ovo e batata. Aqui e em Plutão. Mas as argentinas são melhores. O foda é pagar 65 pesos por isso. Aqui entra a parte de ser pobre. Se 2 pessoas não estivessem famintas, dava para 2 comerem o prato que comi. Tranquilamente. Anda mais se ambas se empanturrarem dos pães da entrada.

Um ponto importante, foi que a carne veio no ponto que pedi: mal passada!

Pude reparar que a gringolândia campeava à largo no lugar. Eis que surge a minha incapacidade de viajar no tempo. Acredito que anos atrás seria impossível encontrar gringos no lugar.

Outro ponto importante é o horário: pelo que entendi, o lugar abre durante o dia também e durante o dia ele funciona como um armazém que vende especiarias. Dai sim, talvez, eu poderia ter sido surpreendido novamente. E isto me leva às 2 deficiências pessoais: não tenho maquina do tempo, pois se tivesse poderia ter voltado para o período e ser pobre, pois se fosse rico, não trabalharia durante o dia só para ir lá!

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