O underground gastronômico de Buenos Aires pt. 4 – Tegui


Foi uma noite engraçadíssima. Fazia tempo que não ria tanto… que não ria tanto de mim mesmo! Na ânsia por achar lugares perto de casa, achei um lugar a 400m do hotel que havia resenhas positivas e negativas, estava no 50/50. Resolvi arriscar.

Tegui é o nome do restaurante. Observem a entrada do restaurante. Alguém já viu algo semelhante? Naquela porta, além do “Tegui”, há um olho mágico e uma maçaneta e o vidro é totalmente escuro, sendo impossível imaginar o que encontrar. Há uma campainha também. Toquei a campainha e uma mulher, vestida idênticamente à Trinity do Matrix, mas com 75% da beleza da Carrie-Anne Moss (o que já lhe dá uma nota 8) me atendeu dando boas vindas e perguntando se havia reserva. O fato é que, ao se abrir a porta, a escuridão não se altera, pois você se depara com mais escuridão, que é o bar. Com muito orgulho pedi uma ‘mesa pra 1’. Aguardei por 4 minutos e a Trinity porteña me levou à mesa.

De onde esperei, já pude ver a luz, o restaurante e já comecei a pensar: fudeu, fudeu, fudeu. FUDEU! Mas quem me conhece sabe que dificilmente ‘dou pra trás’… não me lembro a última vez que tive a humildade de reconheci que tinha fudido e não tenha dado meia volta. Aqui é curinthia! E eu sigo a máxima do filme Ronin: quando houver dúvida, não há dúvida! Ergui a cabeça, respirei fundo e fui pra mesa.

O problema é que eu sou burro. Burraldão mesmo. Podia ter parado, analisado a situação e não ir muuuuito fundo no esquema, mas vejam o que se segue.

Observem o que começou a chegar na mesa, quase que deliberadamente: não me perguntem o que é… eu mal conseguia pensar no que estava fazendo, com o argentino falando este específico vocabulário, eu quase que fiquei tonto e desmaiei com tanta informação.

Basicamente, o primeiro veio a manteiga, tradicionalzona com uns pães que você podia escolher. Gostei mais deste fininho. Falei com o garçon e ele me informou que é um pão feito com muito sal e muito azeite, massa bem fina… e casca crocante. Parece um folheado, mas não é.

Depois veio a salada caprese nessa massa fininha em formato de cone com queijo brie. Muito boa. Obviamente que comi 3. Até então nem tinha olhado o cardápio… estava lá, no meio de pessoas como Menen, Madonna, Maradona, Eva Perón, etc… só gente desse nível estava presente!

Os demais pratos que seguiram e estão aqui, cara… eu não imagino o que seja… mas nada mesmo… só sei que comi de tudo e tudo estava muito bom. Por 2 vezes o garçon veio tirar o pedido, mas reafirmei que ainda não tinha olhado o menu e não sabia o que ia comer, quiçá o que iria beber.

Daí, chegou uma hora, uns 20 minutos depois que não dava mais pra evitar: tive que olhar o menu:

– 1 prato: 110 pesos
– 2 pratos: 180 pesos
– 3 pratos: 220 pesos
– menu degustação de 6 passos: 280 pesos + 2 taças de vinho, 340 pesos

Bebidas… cervejas, impagáveis. Pensei em tomar um vinho. Uma taça, não… uma garrafa. Afinal, fodido por 1, fodido por 1000. Me fodi por 1000. Resolvi pegar um vinho de 100 pesos. Obviamente que depois que o garçon abriu a garrafa, e infelizmente só depois que ele abriu, percebi que 1 garrafa seria muito e que 1 taça seria totalmente suficiente.

Ah man… nessa hora eu já tava dando risada alto, de mim mesmo… sorrindo pra todo mundo e lendo a mente de todos: CRETINÃO!

Pedi o primeiro prato: sopa de coco fresco, ravioli de santola e brotos de coentro.

Descobri que ‘santola’ é uma esqpécie de carangueijo. Daqueles grandes. Comi e pensei: será que vem mais uns 50 desse prato? Em seguida, pensei: CRETINÃO!

O que me restava era encher o copo de vinho e beber… ha… beber eu podia… pena que vinho não mata a fome e parti pro segundo prato: Merluza negra, emulsão de endro, maçã e confit de batatas. O que me instigou muito quando chegou:

Se a merluza era negra, porque que o peixe principal do prato é branco? Seria merluza apenas esses negocinhos escuros? Enfim… como não sei que sabor tem uma merluza, mandei bala no prato! O peixe estava ultré-desfiando… coisa de louco… vide imagem abaixo, em que tentei ‘desfiar’ o peixe com o garfo… e o garço, praticamente atravessou o peixe:

Enfim… o prato se desfez em minutos na minha boca. Assim como 280 pesos se desfizeram rapidamente na minha carteira.

Minha opinião: o restaurante é bonito, a carta de drinks, muito boa, com vários exclusivos da casa, o atendimento é rápido e, se você for acompanhado e pedir, por exemplo 3 pratos, ou até dividir o menu degustação com uma garrafa de vinho… dá pra ir tranquilamente. A gente em São Paulo gasta 60 pesos reais em um pão, hambúrguer, tomate, queijo e alface.

Ou se você é ricão, vai lá com sua esposa e pede 3 menus degustação… 1 só pra esnobar.

Tegui
Costa Rica, 5852
Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Argentina
(0)11 5291 3333

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